quarta-feira, 17 de outubro de 2018

DICA DE LIVRO

“TEMAS EM LITERATURAS DE LÍNGUA PORTUGUESA - OS DIFERENTES OLHARES ”



Para quem gosta de Literatura, Marcelo J.R.Vieira ( Marcelo Mourão) autor do livro, poeta, professor e um dos mentores e apresentadores  do famoso sarau POLEM, lança, com exímia destreza, um olhar crítico sobre a tradição literária.

E como se estivesse em sua sala de aula, ele discorre sobre temas como Candido e Coutinho e as duas diferentes maneiras de olhar a crítica e a origem da literatura brasileira, o teatro de Anchieta, Bocage, Fagundes Varela e Oswald de Andrade (duas diferentes maneiras de trabalhar o mesmo tema).

É um livro para ser lido, relido e sublinhado.
Importantíssimo arquivo da história da nossa Literatura.

            Karla Julia

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DICA DE DOCUMENTÁRIO

      Simone de Beauvoir
          Uma Mulher         Atual
                         
Hoje indico o documentário sobre a vida de Simone de Beauvoir.
Esse documentário prioriza sua grande participação como uma das mais importantes mentoras do feminismo.

Fala também de sua arte de escrever, que na época, chocou sua geração mas ao mesmo tempo influenciou toda uma geração.

Uma mulher forte, grande filosofa e escritora, extremamente dedicada a seus ideais e a Sartre, seu companheiro em todos os sentidos.

               
            Karla Julia

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terça-feira, 16 de outubro de 2018

POESIA

Souvenir

Não me esqueço do teu olhar.
Séculos se passaram em instantes
enquanto eu te olhava 
(nebulosa)
orbitando em teu olhar estelar.

O mistério do universo se explicava
enquanto tu me olhavas.

Assim, naquela tarde
desafiei a lei da gravidade
desvendei todos os mistérios
refletida em teu olhar.

A partir desse dia 
minha alma se fundiu com a tua.

         Karla Julia

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terça-feira, 9 de outubro de 2018

DICA DE LIVRO


"A REDESCOBERTA DO 
MUNDO"

de Trity Umrigar

                  


Mais um livro sensível, diferente, com os aromas e mistérios da Índia, escrito por uma de minhas autoras preferidas. ("A Distância entre Nós", '"Um Lugar para Todos", " A doçura do Mundo", etc.).

A história de quatro amigas da época da faculdade que, após muitos anos separadas, planejam reencontrar-se por causa da notícia da doença extremamente grave de uma delas.

" Mas suas palavras foram poucas e parcas, a descrição de Lal, Ka e Nishta como "amizades" tão inadequada e banal que Armaiti parou. Jane Stillman era uma amiga, assim como Susan Jacobs. Só que não tinha nada a ver. Ela jamais tinha participado de uma passeata com Jane, jamais tinha enfrentado de mãos dadas com Suan um pelotão de policiais. Laleh e as outras não haviam sido apenas suas amigas, mas sim, caamaradas. Embora a palavra tivesse se tornado pejorativa para a queda do Muro, de repente se tornou viva e reluzente para Armaiti, repleta de peso e significado, tão luminosa quanto o amor."  
             
Karla Julia

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domingo, 7 de outubro de 2018

POESIA

LATEJANTE




da minha mãe 
   - o terço -
do meu pai 
- a mezuzah -

quisera revê-los agora
talvez amá-los menos
sua ausência só não é mais doída
graças a essa benção chamada 

MINHA FILHA

passeio os olhos pelo firmamento
a luz do luar está tão bela sobre o mar
que hoje à noite me esqueço de chorar

         Karla Julia

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sábado, 6 de outubro de 2018

Vida longa aos escritores!
Um importante texto de Blanchot.
  Tradução: Karla Julia

    MORTE DO ÚLTIMO       ESCRITOR
                                   
         
Trecho do livro "Le Livre à Venir", de Maurice Blanchot

Pode-se pensar no último dos escritores, com o qual desapareceria, sem que ninguém soubesse, o pequeno mistério da escrita. Para dar um tom fantástico à situação, pode-se imaginar que esse Rimbaud, ainda mais mítico do que o verdadeiro, ouve calar-se nele, essa palavra que morre com ele. Pode-se enfim supor que seria, de um certo modo, percebido no mundo e no círculo das civilizações, esse fim sem remédio.O que resultaria disso? Aparentemente um grande silêncio. É o que se diz educadamente quando um grande escritor morre: uma voz se calou, um pensamento se dissipou. Que silêncio então, se ninguém mais falasse dessa maneira eminente que é a palavra das obras acompanhadas do rumor de sua reputação.

Pensemos nisso. Tais épocas existiram, existirão, tais ficções foram realidade em certos momentos na vida de cada um de nós. Para surpresa do senso comum, no dia em que essa luz se apagar, não será mais pelo silêncio, mas pelo recuo do silêncio, por uma fenda, de espessura silenciosa, e através dessa fenda, a aproximação de um ruído novo, que será anunciada a era sem palavras. Nada de grave, nada de ruidoso: apenas um murmúrio, e que não acrescentará em nada ao grande tumulto das cidades, do qual pensamos sofrer.Sua única característica : ele é incessante. Uma vez ouvido, ele não pode deixar de sê-lo, e como nunca o ouvimos verdadeiramente, como ele escapa ao entendimento, ele escapa também à qualquer distração, ainda mais presente quando se desvia dele: o ressoar antecipado, daquilo que não foi dito e não o será jamais.

                   
                 
   MAURICE BLANCHOT

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quarta-feira, 3 de outubro de 2018

DICA DE FILME


" A VIDA DE UMA MULHER"
                   

Esse filme, de uma beleza e realismo extremos, é baseado em um romance de Guy de Maupassant (1850 Normandia – 1893, Paris) chamado “ Uma Vida” , escrito em1883.

O autor tem uma visão do mundo pessimista. Discípulo de Schopenhauer “ o maior ladrão de sonhos que passou pela terra”, ataca tudo que pode inspirar qualquer confiança na vida.

E assim é o filme. Retrata a vida triste de uma mulher de seu tempo (século XIX) no interior da França. Primeiro, sujeita à vontade paterna. Depois, submetida ao jugo do marido. E o silêncio é a sua única companhia. Um silêncio avassalador, que corrói a belíssima natureza ao redor da casa onde vive a protagonista.

Amigo de Flaubert, Guy consegue ir mais longe que do que o criador de Madame Bovary ao afirmar que o homem: ” é um animal apenas superior aos outros.”. Até a amizade para ele, não passava de uma grande enganação, já que os homens são impenetráveis e destinados à solidão.
             
                 
       



Contudo, na época em que escreveu “ Uma Vida”, percebemos que mesmo estabelecendo um severo julgamento da  existência, Maupassant já dá um certo lugar para a bondade e esperança. Nem tudo estava perdido.

O filme é uma obra-prima.
 
          Karla Julia

domingo, 30 de setembro de 2018

POESIA

MANHÃ DE PRIMAVERA E DIÁLOGO DE POETAS

Auzeh Auzerina Freitas e Karla Julia

Auzeh Auzerina Freitas
Temos em comum a poesia e nossas mães.
A minha bordava labirinto. Um dia escrevi assim:

" Minha mãe bordava, pano preso no bastidor
 e eu tecia meus sonhos para ser a poeta que sou."
Auzêh Freitas 

Karla Julia
 Que bonito! Somos poetas de suturas alinhavos de saudades!
Quando minha mãe faleceu uma amiga tirou a foto da máquina de costura dela que eu tenho .Meu escritório na parte de cima e escrevi :

" Mãe
costuro o pranto
dentro do meu coração
com as linhas da saudade."

Karla Julia


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quinta-feira, 20 de setembro de 2018

FLORA na GALLERIA DEGLI UFFIZI em FLORENÇA


                 

fotos: Karla Julia

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quinta-feira, 13 de setembro de 2018

POESIA


" e se entregaram devagar
             cintilando seda
       na madrugada enevoada"

         
           Karla Julia
                  fotos
         versos do poema
         Amanhecimento


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quarta-feira, 12 de setembro de 2018

DICA DE LIVRO

       A CASA DE CHÁ
         de Ellis Avery

Livro instigante, mágico, como o próprio ritual do chá.
Trata da história de uma menina francesa que é criada no Japão do sé. XIX entrando na era moderna quando as verdadeiras riquezas da Terra do Sol Nascente estão sendo deixadas de lado em prol das novidades do Ocidente.
A Cerimônia do Chá é uma delas, e nesse romance, ao lado das mudanças e adaptações por que têm de passar uma das casas mais tradicionais de chá do Japão, a da família Shin, aprendemos, com muita sutileza um pouco desse ritual e do quão é importante a delicadeza nesse mundo deficiente de sutilezas.
                 
 
"O tema, apesar de misteriosamente comovente, não era inacessível: cada gesto ganhava forma clara sob a luz da atenção dela. Naquele dia, no aposento de Koito junto ao jardim, quando não recebi críticas, pela primeira vez, sentienquanto executava o, temae, um pouco da solenidade e da graça que sentia quando o observava. Senti a precisão austera da coreografia, e minha voluptuosa entrega a ela.. Senti o desejo de dar algo precioso, a tigela de chá."

          Karla Julia

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terça-feira, 11 de setembro de 2018

POESIA

ANDATE E RITORNI

Arrivare comme quelli che partono 
lasciando tutto in dietro
in un volo d' obblio
in cerca di un nuovo tempo

l 'arrivo come se fosse partenza
aspettando l'innatteso
cuore che batte nel petto
come se trovasse le persone del mio passato

difficile è l'arrivo
quando la speranza è stata ormai
risolta, rovesciata 
e sotratta alla Dogana
senza permesso di uscita

speranza perduta

difficile è l'arrivo
quando la partanza è divenuta congedo
dai nostri cari, che a noi,
ormai no possono aspetare più

e ci viene ancora una voglia di partire e sempre
io, che dal tanto sentire
ho deciso di andarmene
sono divenuta cittadina del mondo
in una eterna partanza in cerca della
Terra Promessa

perché tornare
se soltanto nella partenza mi sento in paci?

Karla Julia
  

Foto:Villa Borghese
Roma

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segunda-feira, 10 de setembro de 2018

PENSAMENTO DO DIA

"No ho paura della morte
ma ho paura dell'amore."
           Alda Merini

    "Não tenho medo da          morte, tenho medo é                   do amor."
         Alda Merini
                 
                   Davi   
                       de Bernini
    Galleria Borgues   Foto: Karla Julia

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sábado, 8 de setembro de 2018

QUERIDOS AMIGOS

BOA TARDE

Deixo-lhes fotografias da casa onde viveu por 15 anos, um verso de uma pessoa que soube ser tantas, como ninguém mais
e um certo perfume de orquídeas no ar...


" O meu caminho é pelo infinito fora até chegar ao fim"
Fernando Pessoa




  fotos e artigo
  Karla Julia

       Casa Fernando Pessoa
      Campo de Ourique - Lisboa

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CURIOSIDADES LITERÁRIAS

   A ORIGEM DOS CONTOS   
DE FADAS:"A BELA ADORMECIDA"
                   

As histórias contadas as crianças eram apimentadas, com cenas fortes e violentas, até que alguns séculos depois, surgiram alguns escritores  como Perrault e posteriormente os Irmãos Grimm que começaram a pegar essas histórias contadas oralmente pelo povo e começaram a modificar o enredo para transformá-las em histórias realmente infantis, os famosos contos de fadas com finais felizes como conhecemos hoje em dia.

Hoje vou falar especificamente sobre a origem da história "A Bela Adormecida", espero que vocês curtam...boa leitura:

Em relatos franceses e espanhóis do século 14 ao 16, os detalhes
de A Bela Adormecida arrepiam. O príncipe encantado já é casado e viola a princesa durante o sono. Ela tem dois filhos com ele, ainda dormindo, e é despertada não por um beijo, mas pela mordida de um dos filhos enquanto os amamenta. A sogra do príncipe descobre tudo e tenta matar e comer a princesa e as crianças bastardas.
No início do século 17, o italiano Giambattista Basile escreveu a Pentameron, com sua versão para A Bela Adormecida, intitulada O Sol, a Lua e a Tália. A princesa chamava-se Tália, e seus filhos Sol e Lua. Ela dorme após espetar o dedo, e é acordada quando o filho suga a farpa. A versão se assemelha à da tradição oral, com a diferença de que é a esposa do príncipe que manda matar a princesa. Já no fim do século 17, em Contos da Mamãe Gansa, Perrault publica A Bela Adormecida no Bosque, em que um príncipe, belo e solteiro, desperta a princesa. A versão popular hoje é dos irmãos Grimm, do século 19. A princesa pica o dedo no fuso, dorme cem anos e acorda com um beijo do príncipe encantado.

O filme da Disney foi lançado em 1959 e é baseado na versão de Perrault. A maior parte da trilha sonora do filme são adaptações das canções do balé de Tchaikovsky.

Abaixo segue a versão do italiano Giambattista Basile:

"Uma farpa de linho entra sob a unha da princesa Tália e ela imediatamente cai morta. O rei coloca sua filha em uma cadeira de veludo do palácio, tranca e parte para sempre, pra apagar a lembrança de sua dor. Algum tempo depois, um príncipe que estava por ali caçando, encontra Tália. Ele apaixona-se por sua beleza mas como não consegue acordá-la, a estupra e vai embora. Nove meses depois Tália dá a luz a gêmeos, Sol e Lua, mas continua adormecida. Um dia um dos bebês não encontra seu seio para mamar e coloca a boca no dedo da mãe e suga. Suga com tanta força, que extrai a farpa e faz despertar.

Um dia o príncipe lembra de “sua aventura” com Tália e resolve ir visitá-la. A esposa do rei descobre o caso e manda cozinhar as duas crianças e serví-las para o rei. Mas o cozinheiro prepara cabritos no lugar. Depois a rainha manda buscar Tália para lançá-la ao fogo, mas o p príncipe chega e lança a própria esposa no lugar de Tália. Ele casa-se com Tália e vive com ela e seus filhos..."

                 Karla Julia

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terça-feira, 4 de setembro de 2018

MUSEU HISTÓRICO NACIONAL

Poema Réquiem

acabaram 
com o museu do ontem

país errante
sem passado 
sem memória

pois contentem-se com aquele, o do amanhã

cinza
como as cinzas
daquele que agora jaz.
  


Karla Julia

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MACHADO DE ASSIS - A POETICA DA MODERAÇÃO

Ontem, na sede do PEN clube do Brasil - RJ, o professor Alcmeno Bastos   deu uma palestra sobre a  poética da moderação na obra de Machado de Assis.
                           


Uma excelente oportunidade para aprendermos sobre a admiração  de Machado por José Alencar e como os dois ajudaram na apresentação de Castro Alves ao círculo literário do Rio de Janeiro.
                 

O prof.Alcmeno lançará seu livro " Machado de Assis - A Poética da Moderação", que nos traz uma nova visão  da crítica machadiana no dia 25 de setembro no Café Lamas.

          Karla Julia

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domingo, 2 de setembro de 2018

ESSA VAI PARA MEU ORQUIDÁRIO!

Do seu jardim
diretamente para esses campos!
Obrigada, querida Olivia Fagundes!


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sexta-feira, 31 de agosto de 2018

A MULHER ATRAVÉS DA ARTE




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NAO SE APAIXONE POR UMA MULHER QUE LÊ...

" Não se apaixone por uma mulher que lê,
por uma mulher que sente muito,
por uma mulher que escreve.
Não se apaixone por uma mulher culta, maga, delirante, louca.
Não se apaixone por uma mulher que pensa,
capaz de voar, de uma mulher que tem fé em si mesma.
Não se apaixone por uma mulher que ri ou chora quando faz amor, que sabe transformar o seu espírito na carne e, mais ainda, de uma mulher que ama poesia (elas são as mais perigosas), ou de uma mulher que não sabe viver sem a música.
Não se apaixone por uma mulher intensa, lúdica, lúcida, rebelde, irreverente.
Que nunca passes por isso de se apaixonar por uma mulher assim.
Porque quando se apaixona  por uma mulher assim, que fique contigo ou não, que te ama ou não, por uma mulher assim, não se pode voltar atrás.
Nunca."

  Martha Rivero Garrido
               
            Livraria " El Ateneo"                
                        Buenos Aires

              Karla Julia

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POR QUEM OS SINOS DOBRAM?

                 
                   
 

“Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”.

John Donne

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CAMPOS DE ORQUÍDEAS



pedacinhos de paraíso 
onde me refugio
microcosmos de amor
onde me abrigo
lençóis macios que me aquecem 
do inverno mais frio.

neles, não há espaço 
para longas esperas
a dor não demora a ir embora
o mundo fica mais manso.

entrego todos os meus desejos
inconfessáveis segredos
à doce claridade que vejo.

poder sentir prazer 
na procura de 
detalhes
coisa há muito esquecida.

vezemquando
vejo meu anjo passeando pelos meus campos.
            
Karla Julia

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