segunda-feira, 16 de setembro de 2019

ESCREVER

Abaixo, "ÉCRIRE" , de MARGARITE DURAS, 
autora cuja obra sempre me impressionou e por esta razão, deixo aqui esta tradução . Espero que gostem.

                Karla Julia
                     

'ESCREVER' - MARGUERITE DURAS
 TRADUÇÃO: Karla Julia

"A solidão da escrita é uma solidão sem a qual o escrito não se produz, ou então ele se esmigalha, exangue de procurar o que escrever. Ele perde seu sangue, não é mais reconhecido pelo autor. E acima de tudo ele nunca deve ser ditado para alguma secretária por mais hábil que ela seja, nem entregue nessa fase, à leitura de um editor."

"Não achamos a solidão, mas sim, a fazemos. A solidão se faz sozinha. Eu a fiz. Porque decidi que era aqui que eu deveria estar só, que eu estaria sozinha para escrever livros."

"A solidão, quer dizer também, ou a morte, ou o livro."

" Achar-se num buraco, no fundo de um buraco, numa solidão quase totale descobrir que só a escrita o salvará. Estar sem nenhum assunto para um livro, sem nenhuma idéia de livro é encontrar-se, reencontrar-se diante de um livro. Uma imensidão vazia. Um livro eventual. Diante de nada. Como que diante de uma escrita viva e nua, assim, terrível, terrível de ser superada."

"Um escritor é curioso. Ele é uma contradição e também um contrassenso. Escrever é também não falar. É calar-se. É errar sem barulho."

É o desconhecido que se carrega consigo: é isso que é alcançado, é isso ou nada."

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segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Lacombe

O grande ilustrador francês Benjamin Lacombe ilustra Frida!

         
           Madama Butterfly
                         
                       
        Marie Antoinette
                     
                   

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sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

EDITH PIAF

                  PIAF
               

Redoutez-vous la mort?
... Moins que la solitude.
-Tem medo da morte?
-Menos que da solidão.

Priez-vous?
Oui, parce que je crois à l'amour.
-Costuma rezar?
-Sim, pois acredito no amor.

Quel est votre plus beau souvenir du métier?
Chaque fois que le rideau se lève.

-A mais bela lembrança da sua carreira?
-Cada vez que a cortina se levanta.

Votre plus beau souvenir de femme?
Le premier baiser.

-A mais bela lembrança de mulher?
-O primeiro beijo

Si vous donniez un conseil à une femme...
Aimez.
-Se fosse dar um conselho a uma mulher, qual seria?
-Ame.

...à une jeune fille?
Aimez.
-E a uma jovem?
-Ame

...à une enfant?
Aimez...
-A uma criança?
-Ame.

            Edith Piaf


                         



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quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

ARTHUR RIMBAUD

           - Rimbaud -             
                 

A breve e apoteótica aparição de Rimbaud no mundo literário fascinou muitos poetas que se reuniram em torno do Simbolismo. Nascido em Charleville, em 1854, Arthur Rimbaud foi educado de maneira muito severa por sua mãe.

Aluno brilhante, admirava Hugo e Baudelaire. Seu professor de retórica, Georges Izambard foi quem o encorajou a escrever seus primeiros versos.

Quando de retorno à sua cidade natal em 1871, em sua famosa carta chamada “ Do Vidente”  ( “Du Voyant”), endereçada a Paul Demeny, o jovem poeta Rimbaud expõe seu método poético. Segundo ele, é preciso atingir essa  vidência através de “um longo, imenso e razoável desregramento de todos os sentidos”, não recuar diante do “ desconhecido “, que pode pôr em dúvida a própria razão do poeta e finalmente encontrar uma  nova “ língua ” que possa traduzir tudo o que o poeta,  o “sábio supremo” terá visto de suas experiências .

Sensation
Arthur Rimbaud

Par les soirs bleus d´été,j´irais dans les sentiers,
Picoté par les blés ,fouler l´herbe menue:
Rêveur, j´en sentirai la fraîcheur à mes pieds.
Je laisserai le vent baigner ma tête nue.
Je ne parlerai pas, je ne penserai rien:
Mais l´amour infini me montera dans l ´âme,
Et j´irais loin, comme un bohémien,
Par la Nature,- heureux comme avec une femme.
(mars,1870)

Sensação
Arthur Rimbaud
Tradução: Karla Julia

Nas noites azuis de verão, irei pelas veredas,
Arranhando-me nos trigos, ao pisar a relva miúda;
Sonhador, sentirei seu frescor sob meus pés.
Deixarei o vento banhar minha cabeça descoberta.
Não falarei, não pensarei em nada:
Mas o amor infinito invadirá minha alma,
E irei longe, como um boêmio,
Pela Natureza - feliz como com uma mulher.
(março,1870)

       Karla Julia

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quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

LACAN E A POSTERIDADE

                                 

         Lacan adorava citar Raymond Queneau. Ele nunca, mas nunca falava de seu passado. Para Lacan, o importante era o presente.
Tanto que um de seus poemas preferidos era esse abaixo, de Queneau, bien sûr, que ora deixo para você, minha Luiza Dallale pois me lembrei de sua vó que  sempre me dizia para viver o agora!

" Poema para a Posteridade "-Raymond  Queneau -
Tradução Karla Julia

"E se eu escrevesse esta noite,
 um poema para a posteridade?
Nossa!Que grande idéia
Eu me sinto confiante
Vamos lá!
Para a posteridade, digo:
Merda! Merda de novo!
E Merda mais uma vez!
Sem sombra de  dúvida,
enganei a posteridade,
que esperava seu poema.
Ótimo! "

Jacques Lacan

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terça-feira, 1 de janeiro de 2019

DICA DE FILME: COLETTE

     Queridos amigos,

Neste primeiro dia do ano, deixo uma dica de filme. Assisti mês passado no cinema. Não sei se ainda está em cartaz, talvez não, porém, não posso deixar de mencioná-lo.
                   

Colette foi uma mulher do final do sex. XIX.
Foi usada por seu marido durante anos, escrevendo para ele e vendo sua obra ser publicada sem a divulgação de sua autoria.

O filme mostra seu amadurecimento e desabrochar para uma vida plena, em meio a um século misógino e extremamente asfixiante para a mulher.

        Karla Julia

"Anote tudo o que passar pela sua cabeça e você será um escritor. Mas um autor é alguém que sabe julgar o valor de seus próprios trabalhos, sem pena, e destruir a maior parte deles."
                 Colette
               

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segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

É NATAL NO CASTELO DE CHAMBORD!

  No belíssimo Castelo de Chambord, no Vale do Loire, que fica pertinho de Paris, de dezembro até 6 de janeiro de 2019, já se comemora o Natal.
Quem estiver nas terras de Henri II, não deve perder. Ele está lindo!

Confiram no clipe abaixo:


         
           Joyueux Noël!


               Karla Julia

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sexta-feira, 9 de novembro de 2018


"TOUJOURS 
L´INATTENDU ARRIVE "


LA MAISON


Il y a a deux ans, quand je fus malade, je remarquai que je faisais toutes les nuits le mê me rêve. Je me promenais dans la campagne; j´apercevais de loin une maison blanche, basse et longue, qu´entourait un bosquet de tilleuls. J´étais attiré par cette maiison et j´allais vers elle.
Tel était mon rêve et il se répéta, pendant de longs mois, avec une précison et une fidélité telles qu´un été, ayant appris à conduire moi-même une petite voiture, je décidai de passer mes vacances sur les routes de France, à la recherche de la maison de mon rêve.

Un jour, comme je traversais une vallée voisine de l`Isle-Adam, je sentis tout d´un coup un choc agréable. Alors je sus que j´avais trouvé le château de mes rêves. Il y avait un chemin. Je le pris. Il me conduisit devant une maison blanche.

Je sonnai. J´avais grand-peur que personne ne répondît, mais, presque tout de suite un domestique parut. En me voyant, il parut très surpris et me regarda avec attention, sans parler.
-  Je vais, lui dis-je, vous demander une faveur un peu étrange. Je ne connais pas les propriétaires de cette maison, mais je serais heureuse s´ils pouvaient m´autoriser à la visiter.
- Le château est à louer, madame, dit-il comme à regret, et je suis ici pour le faire visiter. Les propriétaires ont quitté la maison depuis qu´elle est hantée.
- Hantée? dis-je. Voilà qui m´arrêtera guère.
-Je n´y croirais pas , madame, dit- il sérieusement, si je n´avais moi-même si souvent rencontré dans le parc le fantôme qui a mis mes maîtres en fuite.
-Une histoire, dit le vieillard d´un air de reproche, dont vous au moins, madame, ne devriez pas rire, puisque ce fantôme, c´était vous."


André Maurois



A Casa

Há 2 anos, quando fiquei doente, notei que todas as noites tinha o mesmo sonho. Passeava pelo campo e via , de longe, uma casa branca, baixa e comprida, cercada por um bosque de tílias. Ficava atraído por essa casa e ía em sua direção.
Tal era meu sonho, e ele se repetiu durante longos meses, com tamanha precisão e fidelidade que num verão, tendo aprendido sozinho a dirigir um pequeno carro, decidi passar minhas férias pelas estradas das França, à procura da Casa do meu sonho.
Um dia, quando atravessava um vale vizinho a Isle-Adam, senti de repente, um choque agradável. Descobri então que tinha encontrado o castelo de meus sonhos.
Havia um caminho. Eu o peguei. Ele me levou até à frente de uma casa branca.
Toquei a campainha. Tinha muito medo que ninguém respondesse mas quase que imediatamente apareceu um empregado. Pareceu muito surpreso ao me ver e ficou me olhando com atenção, sem falar.
-Vou pedir-lhe um favor um pouco estranho, disse-lhe. Não conheço os proprietários dessa Casa, mas ficaria feliz se me deixassem visitá-la.
- Eles querem alugá-lo, senhora, disse, como que lamentando, e estou aqui para mostrá-lo. Os proprietários deixaram a casa desde que ela ficou assombrada.
- Casa assombrada? Disse. Isso não me deterá.
- Eu também não acreditaria, senhora, disse seriamente, se eu mesmo não tivesse encontrado frequentemente no parque o fantasma que afugentou meus patrões.
- Que história! Disse eu tentando sorrir.
- Uma história, disse o ancião com ar de reprovação, da qual a senhora pelo menos não deveria rir, já que este fantasma era a senhora.
                                    
                  Tradução
                  Karla Julia                                    

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domingo, 4 de novembro de 2018

O PINTOR DA VIDA MODERNA

           
     Os impressionistas possuíam uma esoecie de manifesto, o ensaio de Charles Beaudelaire " O Pintor da Vida Moderna":
                       

"... Ele é um flâneur, um errante, alguém que anda nas ruas, todo dia. A multidão é o seu domínio, como o ar é o do passado e o mar o dos peixes. Sua paixão e seu ofício é incirporar-se à multidão, é sentir o acolhimento do lar dentre o ir e vir, em meio ao fugidio e ao infinito. O amante da vida universal se perde na multidão, como num reservatório de energia elétrica.Ou poderíamos vê-lo num espelho tão extenso quanto a própria multidão."
       Charles Beaudelaire
                 
       Le Moulin de la Galette 
             ( Pierre- Auguste Renoir)

                Karla Julia


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sábado, 20 de outubro de 2018

JACQUES PRÉVERT

               


O poeta do cotidiano, das coisas simples e marcantes da vida: do amor, da infância, da solidão e da liberdade.

Prévert viu a guerra com  seu circo de horrores passar e deixar suas marcas definitivas nos corações de seus contemporâneos.

Escreveu vários poemas contra a hipocrisia da burguesia, os métodos retrógrados de ensino e a religião como instituição nacional.

Karla Julia

Barbara

Rappelle-toi Barbara
Il pleuvait sans cesse sur Brest ce jour-là
Et tu marchais souriante
Epanouie ravie ruisselante
Sous la pluie
Rappelle-toi Barbara
Il pleuvait sans cesse sur Brest
Et je t'ai croisée rue de Siam
Tu souriais
Et moi je souriais de même
Rappelle-toi Barbara
Toi que je ne connaissais pas
Toi qui ne me connaissais pas
Rappelle-toi
Rappelle-toi quand même ce jour-la
N'oublie pas
Un homme sous un porche s'abritait
Et il a crié ton nom
Barbara
Et tu as couru vers lui sous la pluie
Ruisselante ravie épanouie
Et tu t'es jetee dans ses bras
Rappelle-toi cela Barbara
Et ne m'en veux pas si je te tutoie
Je dis tu à tous ceux que j'aime
Meme si je ne les ai vus qu'une seule fois
Je dis tu à tous ceux qui s'aiment
Même si je ne les connais pas
Rappelle-toi Barbara
N'oublie pas
Cette pluie sage et heureuse
Sur ton visage heureux
Sur cette ville heureuse
Cette pluie sur la mer
Sur l'arsenal
Sur le bateau d'Ouessant
Oh Barbara
Quelle connerie la guerre
Qu'es-tu devenue maintenant
Sous cette pluie de fer
De feu d'acier de sang
Et celui qui te serrait dans ses bras
Amoureusement
Est-il mort disparu ou bien encore vivant
Oh Barbara
Il pleut sans cesse sur Brest
Comme il pleuvait avant
Mais ce n'est plus pareil et tout est abîme
C'est une pluie de deuil terrible et desolée
Ce n'est même plus l'orage
De fer d'acier de sang
Tout simplement des nuages
Qui crèvent comme des chiens
Des chiens qui disparaissent
Au fil de l'eau sur Brest
Et vont pourrir au loin
Au loin très loin de Brest
Dont il ne reste rien.
               

BÁRBARA

(Dizem que um poema traduzido é como beijar numa janela se vidro, mas aí vai uma tentativa)

Você se lembra, Bárbara ?
Chovia sem parar em Brest, naquele dia
E você andava sorridente,
alegre, deslumbrada, molhada
debaixo da chuva.
Lembra, Bárbara
chovia sem parar em Brest
E eu lhe encontreina rua de Siam
Você sorria...
e eu sorria também.
Voc~e se lembra Bárbara?
Você que eu não conhecia
Você que não me conhecia
Lembra ,Bárbara
Lembra daquele dia
Não esqueça
Um homem que se abrigava numa estrada
e ele gritou seu nome:
Bárbara!
E você correu ao encontro dele
molhada, deslumbrada, feliz
E você se jogou nos braços dele
Lembra disso Bárbara?
E não me queira mal, se falo “você”
Eu digo “você” a todas as pessoas que amo.
Mesmo se eu as vi apenas uma vez.
eu digo “você’ a todos que se amam
Mesmo se eu não os conheço
Lembra, Bárbara
Não esqueça
esta chuva calma e feliz
sobre seu rosto feliz
aquela chuva sobre o mar
sobre o quartel
sobre o bar d’Ouessant
Ah Bárbara,
Que babaquice a guerra
onde você está agora
debaixo dessa chuva de ferro
fogo, ácido e sangue
E aquele que se abraçava
amorosamente
será que está morto ou desaparecido ou talvez vivo.
Oh Bárbara
Chove sem parar em Brest
Como chovia antes
Mas não é mais a mesma coisa, está tudo estragado
E uma chuva de luta, terrível e dissolado.
Não é mais o temporal
de ferro e sangue
São simplesmente nuvens
Que morrem como cachorros
dos cachorros que desaparecem
no rumo da água sobre Brest
e vão apodrecer longe
muito longe de Brest
da qual não sobra nada.

Tradução:Karla Julia

DÉJEUNER DU MATIN

Il a mis le café
Dans la tasse
Il a mis le lait
Dans la tasse de café
Il a mis le sucre
Dans le café au lait
Avec la petite cuiller
Il a tourné
Il a bu le café au lait
Et il a reposé la tasse
Sans me parler
Il a allumé
Une cirarrette
Il a fait des ronds
Avec la fumée
Il a mis les cendres
Dans le cendrier
Sans me parler
Sans me regarder
Il s’est levé
Il a mis
Son chapeau sur sa tête
Il a mis
Son manteau de pluie
Parce qu’il pleuvait
Et il est parti
Sous la pluie
Sans une parole
Sans me regarder
Et moi j’ai pris
Ma tête dans ma main
Et j’ai pleuré

Jacques Prévert

CAFÉ DA MANHÃ
Jacques Prévert

Pôs café
na xícara
Pôs leite
na xícara com café
Pôs açúcar
no café com leite
Com a colherzinha
mexeu
Bebeu o café com leite
E pôs a xícara no pires
Sem me falar
acendeu
um cigarro
Fez círculos
com a fumaça
Pôs as cinzas
no cinzeiro
Sem me falar
Sem me olhar
Levantou-se
Pôs
o chapéu na cabeça
Vestiu
a capa de chuva
porque chovia
E saiu
debaixo da chuva
Sem uma palavra
Sem me olhar
E eu,
Eu pus minha cabeça entre as mãos
e chorei.

   Tradução: Karla Julia

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quarta-feira, 17 de outubro de 2018

DICA DE DOCUMENTÁRIO

      Simone de Beauvoir
          Uma Mulher         Atual
                         
Hoje indico o documentário sobre a vida de Simone de Beauvoir.
Esse documentário prioriza sua grande participação como uma das mais importantes mentoras do feminismo.

Fala também de sua arte de escrever, que na época, chocou sua geração mas ao mesmo tempo influenciou toda uma geração.

Uma mulher forte, grande filosofa e escritora, extremamente dedicada a seus ideais e a Sartre, seu companheiro em todos os sentidos.

               
            Karla Julia

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sábado, 6 de outubro de 2018

Vida longa aos escritores!
Um importante texto de Blanchot.
  Tradução: Karla Julia

    MORTE DO ÚLTIMO       ESCRITOR
                                   
         
Trecho do livro "Le Livre à Venir", de Maurice Blanchot

Pode-se pensar no último dos escritores, com o qual desapareceria, sem que ninguém soubesse, o pequeno mistério da escrita. Para dar um tom fantástico à situação, pode-se imaginar que esse Rimbaud, ainda mais mítico do que o verdadeiro, ouve calar-se nele, essa palavra que morre com ele. Pode-se enfim supor que seria, de um certo modo, percebido no mundo e no círculo das civilizações, esse fim sem remédio.O que resultaria disso? Aparentemente um grande silêncio. É o que se diz educadamente quando um grande escritor morre: uma voz se calou, um pensamento se dissipou. Que silêncio então, se ninguém mais falasse dessa maneira eminente que é a palavra das obras acompanhadas do rumor de sua reputação.

Pensemos nisso. Tais épocas existiram, existirão, tais ficções foram realidade em certos momentos na vida de cada um de nós. Para surpresa do senso comum, no dia em que essa luz se apagar, não será mais pelo silêncio, mas pelo recuo do silêncio, por uma fenda, de espessura silenciosa, e através dessa fenda, a aproximação de um ruído novo, que será anunciada a era sem palavras. Nada de grave, nada de ruidoso: apenas um murmúrio, e que não acrescentará em nada ao grande tumulto das cidades, do qual pensamos sofrer.Sua única característica : ele é incessante. Uma vez ouvido, ele não pode deixar de sê-lo, e como nunca o ouvimos verdadeiramente, como ele escapa ao entendimento, ele escapa também à qualquer distração, ainda mais presente quando se desvia dele: o ressoar antecipado, daquilo que não foi dito e não o será jamais.

                   
                 
   MAURICE BLANCHOT

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quinta-feira, 23 de agosto de 2018

MARGUERITE DURAS



Os primeiros romances de Marguerite Duras (1914-1996) são ainda textos tradicionais.

Contudo em "Un barrage contre le Pacifique", "Le marin de Gibraltar", "Les Petits Chevaux de Tarquiminia" e "Le Vice-Consul" vemos uma constante modificação em sua maneira de escrever. Ela também escreveu roteiros de cinema como "Hiroshima mon amour" e , de seu romance "L´Amant " uma verdadeira obra-prima.

                       
Como não são capazes de se comunicar de verdade, suas heroínas vivem "sem saber por que", mas esperam que "alguma coisa saia do mundo e venha até elas". Diálogos de uma aparente inutilidade (L’Après-midi de Monsieur Andesmas, 1962), podem induzir a "essas soluções ambíguas e impossíveis de se deslindar" (Détruire, dit-elle, 1969) ou apresentam personagens atingidos "por uma fraqueza essencial e mortal" (La Maladie de la Mort, 1983).
Com L’Amant e L’Amant de la Chine du Nord (1991), a escritora retorna à China dos anos 30, para nos contar da contrtadição do gozo e da dor da morte quanto do desejo sempre de escrever, Yann Andréa Steiner (1992) é dedicado a seu último companheiro, um jovem com quem viveu os últimos anos de sua vida.

Sua obra reúne quarenta romances, dez peças de teatro e filmes escritos ou realizados.
Abaixo um texto de Marguerite Duras que traduzi em seguida:

“Écrire”

“ La solitude de l´écriture c'est une solitude sans quoi l´écrit ne se produit pas, ou il s´émiette exsangue de chercher quoi écrire encore. Perd son sang, il n´est plus reconnu par l´auteur. Et avant tout, il faut que jamais il ne soit dicté à quelquer secrétaire, si habile soit-elle, et jamais à ce stade-là donné à lire à un éditeur.”

“On ne trouve pas la solitude, on la fait. la soliturde elle se fait seule. Je l´ai faite. Parce que j´ai decide que c´etait là que je devrais être seule, que je serais seule pour écrire des livres.”

“La solitude, ça veut dire aussi: Ou la mort, ou le livre.”

“Se trouver dans um trou, au fond d´um trou, dans une solitude quase totale et découvrir que seule l´écriture vous sauvera. Être sans sujet aucun de livre, sans aucune idée de livre, c'est trouver, se retrouver, devant um livre. Une immensité vide. Un livre éventuel. Devant rien. Devant comme une écriture vivante et nue, comme terrible à surmonter.”

 “Cest curieux un écrivain.C'est une contradiction et aussi un non-sens. Écrire c´est aussi ne pas parler. C´est se taire. Cést hurler sans bruit.”

"C'est l´inconnu qu´on porte en soi: écrire, c´est ça qui est atteint. Cést ça ou rien.”

Marguerite Duras, 
“Écrire”

Tradução:

“A solidão da escrita é uma solidão sem a qual o escrito não se produz, ou então se esmigalha, exangue de procurar o que escrever ainda. Perde o seu sangue, não é mais reconhecido pelo autor . E acima de tudo deve ser preciso que nunca seja ditado à uma secretária, por mais hábil que seja, nem entregue nessa fase, à leitura de um editor.”

“Não achamos a solidão, mas sim, a fazemos. A solidão, ela se faz sozinha. Eu a fiz. Porque decidi que era aqui que eu deveria estar só, que estaria sozinha para escrever livros."

"A solidão, quer dizer também: Ou a morte, ou o livro.”

“Achar-se num buraco, no fundo de um buraco, numa solidão quase  total e descobrir que só a escrita salvará você. Estar sem nenhum assunto para um livro, sem nenhuma idéia de livro, é encontrar-se, reencontrar-se diante de um livro. Uma imensidão vazia.Um livro eventual. Diante de nada. Como que diante de uma escrita viva e nua,assim terrível, terrível de ser superada.”

“É curioso um escrito. É uma contradição e também um contra-senso. Escrever é também não falar. É calar-se. É errar sem barulho”

“É o desconhecido que se carrega consigo: escrever é isso que é alcançado. É isso ou nada”

Marguerite Duras “Escrever”
Tradução:Karla Julia



Um de meus filmes preferidos é "L´Amant", baseado no romance dessa fabulosa escritora, que lhe valeu o prêmio Goncourt em 1984. 
Nele, Duras nos fala da relação que teve com o homem que lhe ensinou o significado do prazer .
O livro foi adaptado ao cinema em 1992 por Jean-Jacques Annaud.

Com um roteiro esplendoroso, uma direção de arte espetacular e tendo os personagens de Duras não poderia deixar de ser fenomenal. 

"Fala-me, diz que soube logo, desde a travessia do rio, que eu seria assim com o primeiro amante, que amaria o amor, diz que sabe já que o hei-de enganar e também que hei-de enganar todos os homens com quem virei a estar."
( "O Amante", Marguerite Duras) 

Karla Julia

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terça-feira, 21 de agosto de 2018

A JÓIA DO QUARTIER LATIN

      Musée de Clunny                          ou
      Musée du Moyen  
                  Âge                       
                   

Uma das 6 tapessarias que estão no Musée de Cluny ou Musée du Moyen âge em Paris, "La Dame à La Licorne" ( A Dama com o Unicórnio) .
As cinco primeiras são relativas aos cinco sentidos., contudo, a sexta , chamada " Mon Seul Désir" ( Meu único Desejo) que levanta algumas questões`Pode ser um hino ao amor ou talvez ao sexto sentido feminino. Muitas interpretações até hoje ainda são feitas.
Em outra ocasião falarei mais detalhadamente sobre cada uma delas.

Karla Julia

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quarta-feira, 15 de agosto de 2018

NOBEL


MARIE CURIE

"Nada na vida deve ser temido, somente compreendido.Agora é hora de se compreender mais para se temer menos."

Foi a única pessoa as ganhar dois Prêmios Nobel em categorias científicas: Fisica em 1903 e Química em 1911.

As mulheres representam 5% dos agraciados com o prêmio.


Karla Julia 


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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

POÈME

RODIN
   

un baiser adage
des pensées entourant le musée
le bronze qui dévoile son âge


haicai et photo 
Karla Julia
Musée Rodin
Paris


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domingo, 12 de agosto de 2018

DICA DE FILME

      " O ORGULHO   (título original em francês : "LE BRIO")
 
                     
       O que no início do filme se apresenta como uma cena de preconceito e racismo provocado por um professor da Universidade de Direito de Paris contra uma estudante árabe, se transforma em um desafio em obter a classificação em um concurso de retórica.
   
A instigante trama do diretor Yvan Attal (um israelense, radicado na França e descendente de marroquinos) que no próprio prólogo do filme já diz a que veio ao nos mostrar pequenas falas de Serge Gainsbourg, Lévi-Strauss e Jacques Brel (cujos pensamentos liberais marcaram a época em que viveram).
   
Ao ser censurado pela direção da Universidade, o professor Pierre Mazard (o ator Daniel Auteuil), é colocado como mentor da aluna marroquina Neilah Salah (Camelia Jordana), no prestigiado concurso de Retórica frequentado pela elite francesa.

A partir das vivências  totalmente antagônicas ele, defensor do purismo intelectual francês, convive com a cultura de subúrbio dos imigrantes que tanto desprezava.
Dos desafios impostos nasce uma relação que marca a ambos os protagonistas.

Um filme imprescindível nos tempos onde a intolerância por vezes dirige os homens.
           
          Karla Julia

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sábado, 11 de agosto de 2018

DICA DE FILME

           "O ORGULHO"
              ("LE BRIO")
             



O que no início do filme se apresenta como uma cena de preconceito e racismo provocado por um professor da Universidade de Direito de Paris contra uma estudante árabe, se transforma em um desafio em obter a classificação em um concurso de retórica.

A instigante trama do diretor Yvan Attal (um israelense, radicado na França e descendente de marroquinos) que no próprio prólogo do filme já diz a que veio ao nos mostrar pequenas falas de Serge Gainsbourg, Lévi-Strauss e Jacques Brel (cujos pensamentos liberais marcaram a época em que viveram).
   
Ao ser censurado pela direção da Universidade, o professor Pierre Mazard (o ator Daniel Auteuil), é colocado como mentor da aluna marroquina Neilah Salah (Camelia Jordana), no prestigiado concurso de Retórica frequentado pela elite francesa.
   
A partir das vivências  totalmente antagônicas ele, defensor do purismo intelectual francês, convive com a cultura de subúrbio dos imigrantes que tanto desprezava.

Dos desafios impostos nasce uma relação que marca a ambos os protagonistas.

Um filme imprescindível nos tempos onde a intolerância por vezes dirige os homens.

        Karla Julia

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quarta-feira, 25 de julho de 2018

DEGAS, o gênio misógino.


O grande gênio impressionista Degas (filho de um banqueiro, de temperamento difícil, arrogante e misógino (tanto que disse certa vez, que preferiria ter cem ovelhas a ter uma mulher com opinião).

Não somente pintou bailarinas, mas também cavalos em movimentos. E para tanto, ele fez uso da recém inventada técnica de fot

ografia do inglês Edward Muybridge, cuja câmeras dispostas uma do lado da outra, captavam os cavalos passando em seu galope veloz. Daí a sensação  de ação e movimento.                                                                 

            tela:" Chevaux
            de Courses à
            Longchamps"

Degas comparecia a todas as apresentações de balet no Palais Garnier (Opéra Garnier).
Mas o interessante em suas obras, é que ele não pintava as " primas ballerinas",
mas sim as chamadas " ratas" do ballet, ou seja, as coadjuvantes.

      fotos
       
           tela:"Danseuses                     Bleues"
            Musée d' Orsay,
              Paris
           foto: Karla Julia

           
          tela:" La leçon de
         Danse"
          Musée d'Orsay
           foto: Karla Julia
           
         
             Karla Julia

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quarta-feira, 29 de março de 2017

RODIN E CLAUDEL

  " A Idade Madura"
   de Camille Claudel.

Talvez sua obra mais autobiográfica ( nela vemos a juventude -Camille- de joelhos implorando por um homem mais velho-Rodin- envolvido pelo vulto de uma mulher bem mais velha do outro lado - Rose Beuret -) feita na época em Rodin a deixou, embora ela tenha sido a paixão de sua vida,  que não quis se separar de sua esposa.

            Karla Julia
                                             




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