segunda-feira, 29 de outubro de 2018

A Mulher Inesquecível!

             
                   
                                 
  Hoje, deixo aqui uma fotografia que esta na Tate Gallery em Londres da dama do romance de suspense, Daphne Du Maurier (1907 - 1989).
    Seus livros, "Rebecca" e "Jamaica Inn" ( "A Pousada da Jamaica" ou "A Estalagem Maldita" )influenciaram toda uma época!
    Os filmes" Os Pássaros", "Jamaica Inn" e "Rebecca," dirigidos por Alfred Hicthcock foram adaptados de três de suas obras).

                                                                     





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terça-feira, 23 de outubro de 2018

DICA DE FILME : "O PRIMEIRO HOMEM"

               

Não, não é um filme chato.
É sensível, trata de perdas, algumas delas insubstituíveis.
Não é à toa que tem o mesmo título do livro do existencialista Albert Camus.

Estou falando de grandes interpretações. Ryan me surpreendeu, no papel de Neil Armonstrong, mais no papel do homem que foi até a Lua para procurar o que na Terra não podia mais encontrar do que o primeiro homem a pisar na Lua e de da atriz Claire Foy (que interpretou a rainha Elizabeth II quando jovem, no seriado " The Crown", aqui, magistral, como sua esposa, também segurando uma barra monumental.

A atmosfera também é de suspense, com uma trilha sonora maravilhosa, parece que estamos pisando em paisagens lunares.Chega a ser de uma beleza melancólica.

Um filme onde a ciência e a melancolia estão de mais dadas. Lírico, cinematograficamente lírico!
                 
                             

          Karla Julia

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sábado, 20 de outubro de 2018

Para vocês

              foto: Karla Julia
                   
               Queridos amigos
            Desejo meu desejo de um ótimo final de semana, deixo meus artigos é um certo perfume de orquídeas no ar...

           Karla Julia 


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JACQUES PRÉVERT

               


O poeta do cotidiano, das coisas simples mas marcantes da vida: do amor, da infância, da solidão e da liberdade.
Mas também o poeta que viu a guerra com todo seu circo de horrores passar e deixar suas marcas definitivas
nos corações de seus contemporâneo s. Escreveu vários poemas contra a hipocrisia da burguesia, os métodos retrógrados do sistema escolar e a religião como instituições
tradicionais.

Karla Julia

Barbara

Rappelle-toi Barbara
Il pleuvait sans cesse sur Brest ce jour-la
Et tu marchais souriante
Epanouie ravie ruisselante
Sous la pluie
Rappelle-toi Barbara
Il pleuvait sans cesse sur Brest
Et je t'ai croisee rue de Siam
Tu souriais
Et moi je souriais de meme
Rappelle-toi Barbara
Toi que je ne connaissais pas
Toi qui ne me connaissais pas
Rappelle-toi
Rappelle-toi quand meme ce jour-la
N'oublie pas
Un homme sous un porche s'abritait
Et il a crie ton nom
Barbara
Et tu as couru vers lui sous la pluie
Ruisselante ravie epanouie
Et tu t'es jetee dans ses bras
Rappelle-toi cela Barbara
Et ne m'en veux pas si je te tutoie
Je dis tu a tous ceux que j'aime
Meme si je ne les ai vus qu'une seule fois
Je dis tu a tous ceux qui s'aiment
Meme si je ne les connais pas
Rappelle-toi Barbara
N'oublie pas
Cette pluie sage et heureuse
Sur ton visage heureux
Sur cette ville heureuse
Cette pluie sur la mer
Sur l'arsenal
Sur le bateau d'Ouessant
Oh Barbara
Quelle connerie la guerre
Qu'es-tu devenue maintenant
Sous cette pluie de fer
De feu d'acier de sang
Et celui qui te serrait dans ses bras
Amoureusement
Est-il mort disparu ou bien encore vivant
Oh Barbara
Il pleut sans cesse sur Brest
Comme il pleuvait avant
Mais ce n'est plus pareil et tout est abime
C'est une pluie de deuil terrible et desolee
Ce n'est meme plus l'orage
De fer d'acier de sang
Tout simplement des nuages
Qui crevent comme des chiens
Des chiens qui disparaissent
Au fil de l'eau sur Brest
Et vont pourrir au loin
Au loin tres loin de Brest
Dont il ne reste rien.
               

BÁRBARA

(Dizem que um poema traduzido é como beijar numa janela se vidro, mas aí vai uma tentativa)

Você se lembra, Bárbara ?
Chovia sem parar em Brest, naquele dia
E você andava sorridente,
alegre, deslumbrada, molhada
debaixo da chuva.
Lembra, Bárbara
chovia sem parar em Brest
E eu lhe encontreina rua de Siam
Você sorria...
e eu sorria também.
Voc~e se lembra Bárbara?
Você que eu não conhecia
Você que não me conhecia
Lembra ,Bárbara
Lembra daquele dia
Não esqueça
Um homem que se abrigava numa estrada
e ele gritou seu nome:
Bárbara!
E você correu ao encontro dele
molhada, deslumbrada, feliz
E você se jogou nos braços dele
Lembra disso Bárbara?
E não me queira mal, se falo “você”
Eu digo “você” a todas as pessoas que amo.
Mesmo se eu as vi apenas uma vez.
eu digo “você’ a todos que se amam
Mesmo se eu não os conheço
Lembra, Bárbara
Não esqueça
esta chuva calma e feliz
sobre seu rosto feliz
aquela chuva sobre o mar
sobre o quartel
sobre o bar d’Ouessant
Ah Bárbara,
Que babaquice a guerra
onde você está agora
debaixo dessa chuva de ferro
fogo, ácido e sangue
E aquele que se abraçava
amorosamente
será que está morto ou desaparecido ou talvez vivo.
Oh Bárbara
Chove sem parar em Brest
Como chovia antes
Mas não é mais a mesma coisa, está tudo estragado
E uma chuva de luta, terrível e dissolado.
Não é mais o temporal
de ferro e sangue
São simplesmente nuvens
Que morrem como cachorros
dos cachorros que desaparecem
no rumo da água sobre Brest
e vão apodrecer longe
muito longe de Brest
da qual não sobra nada.

Tradução:Karla Julia

DÉJEUNER DU MATIN

Il a mis le café
Dans la tasse
Il a mis le lait
Dans la tasse de café
Il a mis le sucre
Dans le café au lait
Avec la petite cuiller
Il a tourné
Il a bu le café au lait
Et il a reposé la tasse
Sans me parler
Il a allumé
Une cirarrette
Il a fait des ronds
Avec la fumée
Il a mis les cendres
Dans le cendrier
Sans me parler
Sans me regarder
Il s’est levé
Il a mis
Son chapeau sur sa tête
Il a mis
Son manteau de pluie
Parce qu’il pleuvait
Et il est parti
Sous la pluie
Sans une parole
Sans me regarder
Et moi j’ai pris
Ma tête dans ma main
Et j’ai pleuré

Jacques Prévert

CAFÉ DA MANHÃ
Jacques Prévert

Pôs café
na xícara
Pôs leite
na xícara com café
Pôs açúcar
no café com leite
Com a colherzinha
mexeu
Bebeu o café com leite
E pôs a xícara no pires
Sem me falar
acendeu
um cigarro
Fez círculos
com a fumaça
Pôs as cinzas
no cinzeiro
Sem me falar
Sem me olhar
Levantou-se
Pôs
o chapéu na cabeça
Vestiu
a capa de chuva
porque chovia
E saiu
debaixo da chuva
Sem uma palavra
Sem me olhar
E eu,
Eu pus minha cabeça entre as mãos
e chorei.

   Tradução: Karla Julia

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quarta-feira, 17 de outubro de 2018

DICA DE LIVRO

“TEMAS EM LITERATURAS DE LÍNGUA PORTUGUESA - OS DIFERENTES OLHARES ”



Para quem gosta de Literatura, Marcelo J.R.Vieira ( Marcelo Mourão) autor do livro, poeta, professor e um dos mentores e apresentadores  do famoso sarau POLEM, lança, com exímia destreza, um olhar crítico sobre a tradição literária.

E como se estivesse em sua sala de aula, ele discorre sobre temas como Candido e Coutinho e as duas diferentes maneiras de olhar a crítica e a origem da literatura brasileira, o teatro de Anchieta, Bocage, Fagundes Varela e Oswald de Andrade (duas diferentes maneiras de trabalhar o mesmo tema).

É um livro para ser lido, relido e sublinhado.
Importantíssimo arquivo da história da nossa Literatura.

            Karla Julia

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DICA DE DOCUMENTÁRIO

      Simone de Beauvoir
          Uma Mulher         Atual
                         
Hoje indico o documentário sobre a vida de Simone de Beauvoir.
Esse documentário prioriza sua grande participação como uma das mais importantes mentoras do feminismo.

Fala também de sua arte de escrever, que na época, chocou sua geração mas ao mesmo tempo influenciou toda uma geração.

Uma mulher forte, grande filosofa e escritora, extremamente dedicada a seus ideais e a Sartre, seu companheiro em todos os sentidos.

               
            Karla Julia

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terça-feira, 16 de outubro de 2018

POESIA

Souvenir

Não me esqueço do teu olhar.
Séculos se passaram em instantes
enquanto eu te olhava 
(nebulosa)
orbitando em teu olhar estelar.

O mistério do universo se explicava
enquanto tu me olhavas.

Assim, naquela tarde
desafiei a lei da gravidade
desvendei todos os mistérios
refletida em teu olhar.

A partir desse dia 
minha alma se fundiu com a tua.

         Karla Julia

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terça-feira, 9 de outubro de 2018

DICA DE LIVRO


"A REDESCOBERTA DO 
MUNDO"

de Trity Umrigar

                  


Mais um livro sensível, diferente, com os aromas e mistérios da Índia, escrito por uma de minhas autoras preferidas. ("A Distância entre Nós", '"Um Lugar para Todos", " A doçura do Mundo", etc.).

A história de quatro amigas da época da faculdade que, após muitos anos separadas, planejam reencontrar-se por causa da notícia da doença extremamente grave de uma delas.

" Mas suas palavras foram poucas e parcas, a descrição de Lal, Ka e Nishta como "amizades" tão inadequada e banal que Armaiti parou. Jane Stillman era uma amiga, assim como Susan Jacobs. Só que não tinha nada a ver. Ela jamais tinha participado de uma passeata com Jane, jamais tinha enfrentado de mãos dadas com Suan um pelotão de policiais. Laleh e as outras não haviam sido apenas suas amigas, mas sim, caamaradas. Embora a palavra tivesse se tornado pejorativa para a queda do Muro, de repente se tornou viva e reluzente para Armaiti, repleta de peso e significado, tão luminosa quanto o amor."  
             
Karla Julia

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domingo, 7 de outubro de 2018

POESIA

LATEJANTE




da minha mãe 
   - o terço -
do meu pai 
- a mezuzah -

quisera revê-los agora
talvez amá-los menos
sua ausência só não é mais doída
graças a essa benção chamada 

MINHA FILHA

passeio os olhos pelo firmamento
a luz do luar está tão bela sobre o mar
que hoje à noite me esqueço de chorar

         Karla Julia

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sábado, 6 de outubro de 2018

Vida longa aos escritores!
Um importante texto de Blanchot.
  Tradução: Karla Julia

    MORTE DO ÚLTIMO       ESCRITOR
                                   
         
Trecho do livro "Le Livre à Venir", de Maurice Blanchot

Pode-se pensar no último dos escritores, com o qual desapareceria, sem que ninguém soubesse, o pequeno mistério da escrita. Para dar um tom fantástico à situação, pode-se imaginar que esse Rimbaud, ainda mais mítico do que o verdadeiro, ouve calar-se nele, essa palavra que morre com ele. Pode-se enfim supor que seria, de um certo modo, percebido no mundo e no círculo das civilizações, esse fim sem remédio.O que resultaria disso? Aparentemente um grande silêncio. É o que se diz educadamente quando um grande escritor morre: uma voz se calou, um pensamento se dissipou. Que silêncio então, se ninguém mais falasse dessa maneira eminente que é a palavra das obras acompanhadas do rumor de sua reputação.

Pensemos nisso. Tais épocas existiram, existirão, tais ficções foram realidade em certos momentos na vida de cada um de nós. Para surpresa do senso comum, no dia em que essa luz se apagar, não será mais pelo silêncio, mas pelo recuo do silêncio, por uma fenda, de espessura silenciosa, e através dessa fenda, a aproximação de um ruído novo, que será anunciada a era sem palavras. Nada de grave, nada de ruidoso: apenas um murmúrio, e que não acrescentará em nada ao grande tumulto das cidades, do qual pensamos sofrer.Sua única característica : ele é incessante. Uma vez ouvido, ele não pode deixar de sê-lo, e como nunca o ouvimos verdadeiramente, como ele escapa ao entendimento, ele escapa também à qualquer distração, ainda mais presente quando se desvia dele: o ressoar antecipado, daquilo que não foi dito e não o será jamais.

                   
                 
   MAURICE BLANCHOT

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quarta-feira, 3 de outubro de 2018

DICA DE FILME


" A VIDA DE UMA MULHER"
                 

Esse filme, de uma beleza e realismo extremos, é baseado em um romance de Guy de Maupassant (1850 Normandia – 1893, Paris) chamado “ Uma Vida” , escrito em1883.

O autor tem uma visão do mundo pessimista. Discípulo de Schopenhauer “ o maior ladrão de sonhos que passou pela terra”, ataca tudo que pode inspirar qualquer confiança na vida.

E assim é o filme. Retrata a vida triste de uma mulher de seu tempo (século XIX) no interior da França. Primeiro, sujeita à vontade paterna. Depois, submetida ao jugo do marido. E o silêncio é a sua única companhia. Um silêncio avassalador, que corrói a belíssima natureza ao redor da casa onde vive a protagonista.

Amigo de Flaubert, Guy consegue ir mais longe que do que o criador de Madame Bovary ao afirmar que o homem: ” é um animal apenas superior aos outros.”. Até a amizade para ele, não passava de uma grande enganação, já que os homens são impenetráveis e destinados à solidão.
             
                 
       



Contudo, na época em que escreveu “ Uma Vida”, percebemos que mesmo estabelecendo um severo julgamento da  existência, Maupassant já dá um certo lugar para a bondade e esperança. Nem tudo estava perdido.

O filme é uma obra-prima.
 
          Karla Julia